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Blog da Desenvolver

Pelo fim da violência contra mulheres com deficiência!

Estamos nos 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, mobilização que começou em 1991 com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.

De acordo com o Monitor da Violência (2018), uma mulher é assassinada a cada duas horas e 164 estupros são notificados por dia. Diante dessa realidade, precisamos reiterar a necessidade de falarmos e nos mobilizarmos sobre o tema.

Segundo relatório do Banco Mundial/Faculdade de Yale sobre HIV/ AIDS e Deficiência (2006), estima-se que mulheres com deficiência corram 3 vezes mais o risco de serem estupradas do que mulheres sem deficiência.

A vitimização de pessoas que, além de sofrer a violência de gênero, ainda sofrem vulnerabilidades por deficiência foi abordada também pelo Atlas da Violência 2018. A pesquisa constatou que cerca de 10% das vítimas de estupro possuíam alguma deficiência e, além disso, 12,2% do total de casos de estupros coletivos foram contra vítimas com alguma deficiência. Esses dados foram coletados através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS), lembrando que a saúde ainda é a única a fazer esse recorte sobre deficiência. Sobre isso, é importante frisar que a escassez dessas informações afeta diretamente a criação de políticas que criem mecanismos de proteção, encorajamento à denuncia, acesso universal às informações e acesso aos serviços para que as mulheres com deficiência rompam os ciclos de violência.

É importante reforçarmos a necessidade de desnaturalizar a violência misógina e capacitista que sofremos diariamente. Não nos faltam evidencias que essas duas estruturas discriminatórias permanecem sendo perpetuadas em nossas casas, pelos veículos de comunicação e pelas mãos do próprio Estado.

Não podemos seguir submetidas a serviços prestados em condições inadequadas, espaços que impedem nosso acesso e a recusa do olhar sobre a nossa integralidade. Essas ações vão além de danos físicos e psicológicos, marcam e reforçam a desmobilização e naturalização de violências contra as mulheres com deficiência.

O enfrentamento do capacitismo perpassa pela nossa luta emancipatória. Queremos e precisamos interseccionalizar a deficiência dentro dos feminismos, pois não queremos apenas pautar a nossa participação social, mas sim construir, lado a lado, uma realidade onde possamos ser entendidas e reconhecidas como sujeitas. Queremos e precisamos romper com esse entendimento assistencialista, que almeja nosso “conserto” e se recusa a nos compreender como parte da diversidade humana. Nossas questões, enquanto mulheres com deficiência, não são separadas das lutas feministas.

Não podemos nos esquecer que a Lei 11.340/06, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica contra a mulher leva o nome de uma mulher com deficiência. Maria da Penha teve uma longa trajetória para que seu algoz fosse responsabilizado pelos crimes cometidos, entre eles uma lesão que a fez vivenciar a deficiência. Sua vida e resistência nos lembram a importância de nossas histórias e a necessidade de buscarmos uma realidade em que à violação de nossos corpos e direitos não sejam mais minimizadas ou toleradas.

É responsabilidade de todas e todos usarem suas vozes em busca da garantia de direitos das diferentes mulheres e em suas diferentes trajetórias, pois a luta pela construção de um país menos desigual também se dá pela compreensão e estabelecimento de uma nova realidade.

Os 16 dias de ativismo nos convidam à vigilância e a luta nos 365 dias do ano! Seguimos juntos, pois não há espaço para violência contra a mulher no mundo que nos empenhamos em construir.

Militante dos direitos das Pessoas com Deficiência Psicóloga, mãe e pessoa com tetraplegia


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