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Blog da Desenvolver

Foi dada a largada!

Foi dada a largada!

Na frente estão os atletas de elite, logo atrás um misto de amadores que se esforçam por gostar de correr e outros que anseiam por fazer parte do grupo principal. Depois desses dois grupos vem gente de tudo que é tipo, tem o pessoal da zoação que vem fantasiado de super herói, de banana de pijama, etc. E tem quem queira correr só pra chegar um pouquinho mais longe dessa vez. Enfim, a gurizada que quase nunca termina, e muito menos ganha qualquer coisa.
-Mas Márcio, a vida não é uma corrida, essa analogia não representa todos os meandros do cotidiano. Nem todo mundo quer correr, então porque acha que isso explica qualquer coisa?
Então… Entendo tua colocação, caro interlocutor, mas a corrida em si não me interessa muito, até porque a vida não é uma preparação para algo específico. Me interessa entender as castas que, praticamente, definem os resultados. Quero dizer com isso que não acredito existir uma linha lógica e absolutamente concreta dos acontecimentos, mas tem vários indicativos que apontam quais são as chances que cada um tem para conquistar e ser aceito em espaços determinados.
Concordo que também não podemos analisar as questões sociais a partir da analogia da corrida porque ela tem início e fim muito bem determinados e todos ali percorrem o mesmo caminho, sendo assim, aparentemente todos tem as mesmas chances. Seria ali exclusivamente o esforço o imperativo da vitória (máxima meritocrática). Só que a análise episódica não leva em conta os históricos dos participantes, esse é o problema.
No nosso cotidiano enfrentamos corridas diferentes, alguns correm várias, outros poucas. Pense em alguém que se divide em trabalho e estudo, em outro que só estuda e outro ainda que estuda, mas o principal objetivo/necessidade é levar dinheiro pra comida. Tente não personificar essas três condições, mas sim pensar em categorias com muitos indivíduos. Te peço pra fazer esse esforço por ser muito comum alguém querer defender a meritocracia porque o filho gênio da empregada foi estudar em Havard. Esse cara tá fora da média, não é exemplo, e aqui é a média que nos importa.
Todos estão carecas de saber que as oportunidades não são as mesmas e não são por uma série de fatores, que vão desde sorte ou alinhamento dos planetas até ter ou não saneamento básico em casa. Sabia que falta de saneamento pode causar, inclusive, déficit de aprendizado? Pois é, acha justo exigir dessa pessoa o mesmo desempenho do cara que estudou na escola bilingue?
-Mas a culpa não é minha das coisas serem assim…
Não quero estabelecer uma correlação de culpa de qualquer parte. Quando nascemos as coisas já estão como estão, mas só o fato de pensar nisso significa que tu entende a existência dessa estrutura de desigualdade.
É tão triste perceber que no fim das contas estamos falando de manter privilégios e que vamos falar disso por muito tempo ainda. Não digo pra sempre, mas é importante perceber a concretude dessas diferenças estruturais, que até podem não ser totalmente rígidas, pois tem alguns fora da média que conseguem transitar entre mais espaços do que seus iguais em oportunidades e características. Mas na média, as coisas não mudam muito. Então, como pensar em meritocracia?


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