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Blog da Desenvolver

Quem está perdendo?

Quem está perdendo?

Participei recentemente de um evento sobre diversidade nas organizações, tema intimamente ligado a minha prática profissional. É motivador perceber o quanto essa discussão está em uma crescente e, mais do que isso, há o entendimento cada vez maior sobre sua relação direta com o conceito de cidadania.

Mais do que falar sobre trabalho, precisamos reconhecer seu papel social. O trabalho é a atividade chave no sistema em que estamos inseridos e, além disso, é um elemento importante na construção de identidades.

Compreendendo essa importância, tanto econômica quanto na identificação dos sujeitos, como garantir que o trabalho seja de fato um direito social?

Quando reconhecemos que todas as pessoas são iguais perante a lei, sobre quem estamos falando? Todos possuem seus direitos garantidos igualmente?

Da mesma forma que precisamos compreender as dimensões do trabalho, precisamos compreender os fatores que afastam e impedem o gozo desse direito social por parcelas tão expressivas da população.

O que explica pessoas com deficiência representarem 23,9% da população brasileira e somente, segundo a RAIS de 2011, 0,7% dos empregos formais? Considerando o fato de existir uma politica afirmativa (Lei Nº 8.213/91, conhecida como Lei de Cotas) para a inclusão desse segmento, esse dado escancara o poder devastador do capacitismo, que resulta, inclusive, no descumprimento da legislação.

Em relação às mulheres, de acordo com uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, a metade das mulheres que entra em licença-maternidade não está mais no emprego um ano após o início do benefício. Quais são os fatores para esse dado alarmante? Será que entre eles não está o entendimento sobre a responsabilidade unilateral da mulher em relação ao cuidado dos filhos? Por que homens recebem licença paternidade somente de cinco a vinte dias, se suas atribuições deveriam ser semelhantes? Além disso, como lidar com o fato real do assédio dentro das organizações, fato que interfere diretamente no desenvolvimento das mulheres nesses espaços.

Outro exemplo marcante é a discriminação racial. Podemos ignorar o fato de pessoas negras ocuparem apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo, embora representem mais da metade da população brasileira? Em 2015, o salário médio de uma pessoa negra era 59% do salário de um branco (Pesquisa do Instituto Ethos, 2016). Como explicar números como esse sem assumirmos o impacto das estruturas do racismo?

Ao abordarmos questões como orientação sexual e identidade de gênero, sabemos que no Brasil 61% dos profissionais LGBT não assumem sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho (Center for Talent Innovation, 2016). A pergunta que fica é: e aqueles que não possuem essa opção, como pessoas trans sem passabilidade?

Compreendendo o impacto das empresas no contexto social e seu potencial na mudança de realidades, é possível não repensar o quanto nossas práticas são excludentes?  Podemos continuar nos escondendo através de discursos meritocráticos que não se sustentam?

Os números gritam e esfregam uma realidade que envergonha. Eu me sinto envergonhada.

Quantos talentos já se perderam e quantos continuaremos perdendo?

A diversidade humana existe e sua potência transformadora não pode continuar ignorada. É urgente esse debate… Sem ele, todos nós continuaremos perdendo!

Igualdade de oportunidades, essa é a minha utopia.

Militante dos direitos das Pessoas com Deficiência Psicóloga, mãe e pessoa com tetraplegia­­
 


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