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Blog da Desenvolver

Somos diversas, mas não dispersas!

Mais um março chegou. Mês marcado não apenas por 1, mas 31 dias de resistência. Mês em que falamos sobre ser mulher e nossa diversidade. Mês que falamos sobre nossa dificuldade em acessar e permanecer no mercado de trabalho. Da desigualdade salarial, da imposição da responsabilidade unilateral sobre os filhos e do assédio em suas mais diversas formas. Mês em que a nossa luta, que nos acompanha o ano inteiro, se torna pauta e, assim, podemos nos aproximar ainda mais de outras mulheres.

Mês em que saímos às ruas, de mãos dadas! Mulheres com deficiência, negras, lésbicas, trans, indígenas, do campo, trabalhadoras…

Mês em que, ao menos no dia 8, a misoginia é velada. Velada? Escrevo essa coluna dia 16/03, 02 dias após a execução de uma mulher negra, mãe, favelada, 5ª vereadora mais votada pelo município do Rio de Janeiro (em sua 1ª disputa eleitoral), socióloga, mestra em Administração Pública, lésbica, feminista e defensora de direitos humanos. Mulher que, em sua pluralidade de identidades, ocupou um lugar de poder e usou sua voz para combater o genocídio da população negra e periférica. Mulher que transcendeu expectativas. O recado por sua ousadia, ao denunciar os crimes de uma intervenção mal explicada, foi 9 TIROS. Desses, 4 TIROS NA CABEÇA. Caixão fechado. Como mulher, não bastava matar seu corpo, precisavam (tentar) apagar sua imagem. Dói. Precisa doer em todas nós.

A munição que a matou foi paga por todas e todos, inclusive por Marielle. Como é possível não se indignar com o fato do lote da munição ter sido vendida à Polícia Federal? É contra essa violência perversa do Estado que a vereadora também lutava.

As mulheres que ousam cruzar e ocupar os lugares de poder, seja ele na política, no trabalho, em casa ou nas ruas, arcam com as consequências. É o que os números da violência contra os nossos corpos nos dizem… e quando esses corpos são negros, a violência é ainda maior.

De acordo com o Mapa da Violência de 2015, o homicídio de mulheres negras aumentou 54% em dez anos no Brasil. No mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%. É preciso reforçar que a deficiência está relacionada também a desigualdade e dados demostram o quanto somos desiguais, inclusive entre nós. Racismo e machismo são, provavelmente, as principais causas da deficiência para mulheres. O capacitismo chega apenas para tapar o buraco… há quem ache que assim nos calarão. Nos tapam com terra e é através dela que plantamos nossos frutos e fortalecemos nossos troncos. Não se enganem em achar que é nos obstáculos impostos que está a nossa força. Nossa força está em pensar e lutar por uma realidade com igualdade.

Há quem insista que direitos humanos são para bandidos. Eu, enquanto MULHER com DEFICIÊNCIA, tenho minha existência reconhecida através de princípios dos direitos humanos. Como me colocar no mundo e exigir que meu lugar é onde eu quiser, que as escolas e universidades precisam cumprir seu papel na inclusão e que exijo respeito e reconhecimento ao meu corpo, senão através dos direitos humanos? É no pilar do entendimento da dignidade humana que precisamos construir a nossa história. Está na hora de, não só sermos pautadas, mas também reconhecermos a importância dessa luta.

Nós, mulheres com deficiência, precisamos, cada vez mais, estar ao lado de nossas irmãs, nos fortalecendo e acreditando o quanto a revolução está em nossas mãos.

A covardia derrama nosso sangue, ontem foi o de Marielle. Uma mulher que de cabeça erguida pagou com sua vida o preço de não aceitar a vida com seletividade. Ela e sua representatividade nos convidam a resistir. Balas matam e ferem corpos, não ideias.

É preciso que saibam que a voz de Marielle não era isolada. Nós, mulheres em sua mais ampla diversidade, permaneceremos unidas para muito além desse mês. Tentaram calar 46.000 votos… mal sabiam que somos muito mais!

“E quando a gente se descobre mesmo, como mulher, então a gente começa a sentir responsável pela história, não só a nossa história, mas a história da sociedade, a história das outras mulheres, a história do mundo.” (Nazaré Flor)

Marielle Franco, presente!

Militante dos direitos das Pessoas com Deficiência Psicóloga, mãe e pessoa com tetraplegia

 

 


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