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Blog da Desenvolver

Falta de educação e a educação fazendo falta!

Mês passado fui a uma formatura na PUCRS, Universidade em que me tornei psicóloga. Talvez por estar completando 10 anos de formada, senti certa nostalgia ao pensar em quantas mudanças ocorreram de lá para cá.

Pois bem, a formatura era de engenharia elétrica e, entre a emoção de ver meu querido cunhado encerrando esse ciclo, me surpreendi ao ver que ao final do palco havia um cadeirante entre os formandos.

O percebi somente na metade da formatura, talvez pela minha habitual distração, mas arrisco dizer que sua localização não era minimamente adequada. Ao notá-lo, percebi que ele ficou escondido por seus colegas em vários momentos durante a cerimônia, ainda mais por ter ficado atrás de uma imensa caixa de som. Ao chegar sua vez de colar o grau, o auditório inteiro se comoveu e o aplaudiu intensamente. Era inevitável, após a euforia, escutar comentários sobre o quanto ele era um “guerreiro” e o quanto sua “superação” era estimulante. Lembrei, mais uma vez, da minha formatura, onde a reação foi muito semelhante… Será que nesses 10 anos, em relação a nossa presença nas universidades, nada mudou? Por que continuamos causando tanta comoção?

Em tempos de retrocessos de direitos e escolhas políticas que reforçam e perpetuam a marginalização de determinados segmentos de pessoas (pessoas com deficiência, pessoas negras, trabalhadores, mulheres, indígenas, pessoas LGBTs), entendo a comoção, pois a conclusão de uma faculdade por essas pessoas é dificultada ao máximo, mas arrisco dizer que há outros fatores nesse comportamento. Entre eles, a ideia que aquele lugar não nos pertence.

Toda vez que escuto, seja na educação infantil, ensino fundamental, ensino médio ou graduação, sobre a presença de pessoas com deficiência em sala de aula, percebo o tom da novidade. São pessoas que são a exceção, diferem dos demais. Somos ¼ da população do nosso país, não seria natural que todos nós tivéssemos tido colegas com deficiência em sala de aula?

A pergunta que fica é: se a educação é um direito humano fundamental, por que nossa presença surpreende? Somos menos humanos?

Gostaria que a energia colocada nos aplausos e comoção fosse canalizada ao questionamento. Por que, ainda hoje, entendemos como superação o simples fato de estudarmos ou ocuparmos espaços?

Nós, pessoas com deficiência e familiares, ainda precisamos lutar para que ao menos nos ACEITEM em escolas e universidades. Foi necessário recorrer ao STF para que, no ensino privado, não fossemos ainda mais onerados financeiramente através de taxas e cobranças discriminatórias. No ensino público, inúmeras escolas ainda não são acessíveis e sofrem com a precarização de salários e capacitação de profissionais.

Se as instituições de ensino não estão preparadas a nos receberem, que tipo de educação estará oferecendo a nossa sociedade? Se as escolas não conseguem ver pessoas com deficiência como alunos, será que conseguem entender pessoas com deficiência como pais? São inquietações presentes na vida de alunos e pais com deficiência que deveriam ser de todas e todos.

É estranhamente espantoso que um lugar que se constrói conhecimento e promova a socialização não acolha e incentive a diversidade humana. Perdemos todos!

Nessa volta às aulas, fica o recado: os cantos e aplausos já não nos bastam.

Vamos, juntas e juntos, ser a mudança?

Militante dos direitos das Pessoas com Deficiência Psicóloga, mãe e pessoa com tetraplegia


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