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Blog da Desenvolver

“Turismo, um direito de todos”?

Recentemente tive a oportunide, finalmente, conhecer nosso querido vizinho Uruguai.

A expectativa era imensa, afinal os direitos recentes conquistados apontavam para reconhecimento de direitos humanos, fato que faz os meus olhos brilharem ainda mais que belas paisagens (ainda mais sabendo que elas também eram garantidas).

A viagem foi decidida no meio de dezembro, o que não combina muito com a logística necessária a muitas pessoas com deficiência. Muitos hotéis já não tinham mais disponibilidade e os que tinham, pra minha surpresa, falavam com naturalidade sobre a ausência de quarto acessível. Esse fato é um “detalhe”, que além de comprometer negativamente a viagem, aponta à ausência de reconhecimento de direitos das pessoas com deficiência.

Infelizmente em Montevideo e Colônia do Sacramento, as cidades em que estive, a acessibilidade era coisa rara. Um exemplo: por mais organizada que eu seja nas viagens, até por questão de experiência, museus não costumam ser foco de preocupação, pois, na pior das hipóteses, sempre haverá uma daquelas rampas com inclinação inadequada. Infelizmente, isso não ocorreu lá. A acessibilidade se resumia a rampas na região central e na cidade velha. Elas ficam dentro de um retângulo bem definido onde, dentro dele, há rampas em praticamente todas as quadras. Fora desse retângulo e da Rambla, a acessibilidade era praticamente inexistente. Ah, antes que eu esqueça, vai uma dica: mesmo os espaços não permitindo que tu os desfrute sem discriminação, a meia-entrada e a isenção pra pessoa com deficiência não existem por lá.

Em 10 dias que estive no país não vi nenhuma pessoa cega. Vi apenas 02 pessoas surdas e 04 pessoas cadeirantes, além de mim, sendo que 02 pareciam turistas e 02 estavam em situação de miséria. Com certeza esses fatos são reflexos da ausência de acesso e reconhecimento de direitos dessa população.

Em vários pontos da cidade, como também na Rota para Colônia, havia outdoors que diziam: “Turismo, um direito de todos”… Todos? Quem é “todos”? Como um país que avançou no reconhecimento de direitos sexuais das mulheres, casamento igualitário e a descriminalização do uso da maconha, não consegue enxergar parte significativa de sua população? Como um País que reconhece seu papel de Estado na busca pela igualdade se cala perante essa violência? CAPACITISMO. Ponto.

A ideia da improdutividade da pessoa com deficiência e a noção de que somos uma forma diminuída de seres humanos precisam ser combatidas no Brasil, no Uruguai e no mundo. Enquanto não pensarmos em políticas que agreguem as pessoas colocadas as margens, continuaremos excluindo e sendo excluídos dos espaços e do exercício da cidadania. Se não acolhermos a equidade para a promoção da igualdade, continuaremos privando a todos de sua própria dignidade enquanto povo.

Considerações feitas, com certeza Montevideo me ensinou, principalmente, sobre a importância da ocupação dos espaços públicos. Foi o local que conheci onde, independente do horário, as praças e ruas são ocupadas. Direitos não são dados a quem não concentra o poder, por isso, que saiamos às ruas! Seja nas férias ou no dia a dia, ocupar as ruas é uma das formas mais importantes pra romper com esse ciclo de invisibilidade.

Com certeza é impossível ignorar todos os avanços conquistados no Uruguai e por isso mesmo plantar a semente da inclusão se torna ainda mais necessária por lá, pois sabemos que o solo é fértil.

 

Ocupar é resistir. Resistir é existir. Existimos!

 
Militante dos direitos das Pessoas com Deficiência Psicóloga, mãe e pessoa com tetraplegia


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