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O primeiro cão-guia de uma Pessoa Surdocega no Brasil

 

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O primeiro cão-guia de uma Pessoa Surdocega no Brasil

Queridos amigos! Estive por um mês na Pilot Dogs Inc., na cidade de Columbus – Ohio – EUA, treinando com um cão-guia da raça Labrador. Depois de um intenso e abrangente treinamento, fui aprovado na avaliação, o que me possibilitou o regresso ao Brasil com um Labrador Retriever.

É o primeiro cão-guia de uma pessoa surdocega – Alex Garcia – do Brasil.

Ter um cão-guia sempre foi um grande sonho para mim e eu sabia que a luta seria difícil mas não desanimei. O cão é portanto, a realização de um sonho que vem junto com a felicidade inenarrável da batalha vencida.

Foi cansativo e estressante estar em uma cidade estranha, sob a temperatura de -15º, treinando nas calçadas do quarteirão em que se localiza a escola, também em supermercados, lojas, no centro da cidade, estradas, parques e em ònibus, etc, etc. Precisei ter muita fé e determinação e assim, consegui assimilar e colocar em prática os treinamentos, apesar das minhas limitações, e fui aprovado no teste final para trazê-lo comigo ao Brasil.

Ele – cão-guia – tem a missão:

– me guiar, facilitando a minha mobilidade e melhorando consequentemente minha qualidade de vida.

– sua presença irá me ajudar a afastar a solidão que muitas vezes me encontro.

– sendo o primeiro cão-guia de uma pessoa surdocega, ele vai abrir as portas aos meus irmãos e irmãs surdocegos e assim, plantamos uma semente para o futuro. Esperamos sensibilizar a sociedade e nossas autoridades para que se movam no sentido de que outras pessoas surdocegas possam ter cães-guias em nosso país.

– em minha companhia este cão-guia será uma ferramenta de inclusão social.

A Pilot Dogs Inc. em Columbus – Ohio

Meu contato com esta ONG aconteceu há um tempo atrás quando desanimado de tentar conseguir um cão-guia aqui no Brasil, escolhi algumas Escolas Americanas para tentar realizar o meu sonho. A Pilot Dogs me abriu as esperanças, mas somente consegui confirmar a minha presença para o treinamento, após a terceira chamada que eles me faziam. Parecia ser um sonho impossível porque a cada vez que era chamado, acontecia um problema que me impossibilitava de ir adiante. No meio do ano de 2014, minha amiga e intérprete me avisou que se por acaso o chamado viesse para o Treino de Fevereiro, ela não poderia me acompanhar… lá estava eu novamente lutando e agora sem uma intérprete que pudesse traduzir do Inglês para o Português, todo o treinamento, e escrever em minha mão! Parecia que pela terceira vez eu teria que abrir mão do meu sonho. Resolvi anunciar na minha rede,que precisava de uma intérprete e uma pessoa de São Paulo começou a trocar e-mail comigo e a traduzir as cartas que eu enviava à empresa para saber se seria possível a minha participação no treino de Fevereiro de 2015. Finalmente, no final de Janeiro, veio a terceira chamada! Mal podia acreditar que este era o meu momento! Todos os preparativos prontos, a minha nova intérprete – Deise – confirmou que estaria comigo para esta jornada e partimos para o que era um dos maiores sonhos!

Chegamos em Columbus no dia 14 de fevereiro – 2015, um domingo gelado e a neve era uma constante na paisagem da cidade. Naquele mesmo dia iniciamos o treinamento, percorrendo todo o espaço físico internamente, tateando e aprendendo como chegar em cada espaço. Nosso treinador, Ryan, explicava para a Deise que me traduzia ou através do computador ou escrevendo na minha mão.

Passamos dois dias inteiros – segunda e terça feira com aulas teóricas de todos os tipos sobre o cão. O que, onde, porque, quando e como iríamos fazer quando recebêssemos nossos cães. Éramos, à medida que outros estudantes foram chegando, um total de sete alunos, sendo todos cegos ou deficientes visuais e apenas eu, surdocego. As traduções da Deise iam me situando no ambiente que estávamos, com quem estávamos e tudo que eu necessitava saber para colaborar, oferecendo o meu melhor para a minha grande conquista!

Aos poucos aprendemos sobre a Pilot Dogs Inc., uma ONG Americana, sem fins lucrativos, cujo maior parceiro na arrecadação de fundos é o Lions International, cooperando com 75% dos Fundos para o sucesso de treinar e entregar 170 Cães Guias por ano a cegos e deficientes visuais, sejam eles americanos ou estrangeiros. Vale apontar, que o custo de cada cão guia, desde o seu nascimento, gira em torno de US10 mil dólares!

O tratamento que a Diretoria e Treinadores nos ofereciam, eram de irmãos que ao nosso lado se colocavam para juntos, conseguirmos atingir nosso objetivo – que era o sucesso durante todo o treinamento, finalizando com toda a documentação e preparo para que pudéssemos, voltar para nossos lares com um cão-guia!

A partir do momento que pisamos nos Estados Unidos, não tivemos nenhum custo, as passagens, refeições e alojamento por um mês completo, foram às custas da Pilot Dogs Inc.

Era inevitável o sentimento de tristeza que vez ou outra me assolava a alma, pensando que bênção seria se tivéssemos uma ONG e/ou um trabalho governamental como este no Brasil, onde tantas pessoas com deficiência, incluindo surdocegos poderiam se beneficiar! Quem sabe um dia ainda poderemos ser comparados aos Estados Unidos, nas suas práticas de assistência social. Mas nossa realidade é diferente.

O que importa é que precisamos divulgar que nossos sonhos são possíveis de se realizarem; existem se não aqui no nosso país, lá fora, ONGs que nos acolhem e estão dispostas a nos auxiliar, oferecendo gratuitamente os seus serviços, treinando e oferecendo cães para os que estão determinados a vencer!

A minha intérprete e guia, Deise Leitão de Souza, cujos telefones e email estão abaixo, está disposta e disponível a participar desta empreitada com aqueles cujo sonho é a obtenção de um cão-guia. Os interessados, podem entrar em contato com ela.

Se eu consegui, vocês conseguem!

Telefones da Deise: (11) 3814-0478 e (11) 9 8152-6722

E-mail souzadl1@terra.com.br

Algumas palavras da Deise

Olá! Acabei de vivenciar como guia e tradutora de um surdo cego, um mês de treinamento numa Escola Americana, para a obtenção de um cão guia. Essa experiência, após avaliação no final do treinamento, foi de completo sucesso, o que nos permitiu voltar com um Labrador Retriever que o ajudará melhorando não apenas sua mobilidade, como também sua qualidade de vida. Estou capacitada a orientar os primeiros passos para o contato com a Escola, a preencher os formulários junto à Cia Aérea para conseguir o desconto na passagem do acompanhante e a traduzir ao lado da pessoa com deficiência, cada passo e comando do treinamento. A felicidade de ver o sonho deste rapaz realizado, me motiva a oferecer este serviço, estendendo a outras pessoas com deficiência esta oportunidade. Com carinho, Deise

Neste momento

Neste momento meu cão está comigo, em casa, no Estado do Rio Grande do Sul, a fim de se adaptar ao nosso país, ao meu cotidiano e de minha família. Como todos os cães-guias são cães de serviço, eles foram treinados para trabalharem. Eles não são cães para brincar portanto, toda a sociedade deve ficar atenta ao encontrar um cão-guia. Não interaja com ele, não chame sua atenção, não tire dele a concentração, porque ele está em serviço e a segurança da pessoa com deficiência, é o seu único objetivo. Os meus comandos, juntamente com o treinamento recebido, fazem dele os meus olhos e ouvidos e a minha própria vida!

Agradecimentos

Agradeço imensamente à minha família – meu pai, mãe e irmão – por todo o apoio que me deram desde o começo desta grande jornada. Agradeço à Deise, por encarar de frente este trabalho – sem você eu não teria conseguido! Agradeço as minhas outras intérpretes e tradutoras por toda a energia. As mães de surdocegos e as mães de pessoas com, doenças raras que torceram por mim. Agradeço ao Portal Planeta Educação e Revista Reação pelo apoio contínuo. Enfim, agradeço a todas as pessoas, que de uma forma ou de outra colaboraram comigo. Seria impossível citar aqui todas as pessoas que colaboraram materialmente e acima de tudo, com palavras de força e carinho. A todos vocês o meu muito obrigado!

Acessem fotos aqui: www.agapasm.com.br/fotos56.asp

Alex Garcia

Pessoa Surdocega

 


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